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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Virei Funça!

Sim é um título chamativo, mas é quase isso mesmo. Como prometido no meu último fechamento, está aqui a atualização sobre meu “novo” emprego.
Continuação...

Aguardando ansiosamente pelo emprego prometido, fico quase 2 semanas no aguardo. Fico pensando que o período que estava passando seria exatamente o início do emprego que dispensei. Fiquei bastante ansioso, pois nunca confiei plenamente nas pessoas, sempre só apareceram aproveitadores em minha vida e esse emprego prometido poderia ser apenas mais uma promessa furada.

Quando em uma terça-feira recebo uma ligação na hora do almoço.
-Alô! É o Bozo?! (apelido em alusão ao nome de outro palhaço que eu tinha nesse local de trabalho)
-Sim sou eu?!
-É o Roberto!
-Que Roberto?
-O Roberto, o primo do Jamil, aquele que tá no grupo de putaria do Whatsapp.
-Ah, pera ai...Antônio?!
-É sim, Antônio é meu sobrenome, fala aí Bozo! tô te ligando porquê você tem que passar na sede da empresa com toda a documentação, a estagiária ia te ligar ontem, mas esqueceu de te ligar. Anota o endereço aí: xxxxxx, é em uma casa verde logo após uma curva, pelo menos foi assim quando eu vim de São Gonçalo, tu tem que pegar a linha xxx na Leopoldina e salta logo depois dessa curva. Tu já tem toda a documentação né?
-Ah não tem problema não cara, eu me viro aqui com o ônibus, já tô com toda a documentação pronta, mas é pra passar lá quando?
-Se puder agora, era pra gente já ter te contratado. Você vai começar na quinta-feira agora.
-Ok então, valeu cara, já to indo pra lá.

Nisso termino de almoçar e junto a documentação que eu já tinha pronta para as várias entrevistas que tinha participado. A única coisa que estava me atrasando eram as malditas fotos 3x4. Como frugal que sou. Tenho uma delas escaneada no computador e papel fotográfico. Como com pressa ninguém faz nada direito cortei a porra toda torta, joguei no lixo e imprimi mais uma folha, então pedi para a desocupada de minha mãe cortá-las enquanto eu tomava banho. Aquele ditado que diz: Não peça para que outros façam o que você mesmo pode fazer. Ela estava cortando as fotos todas com bordas.

-PQP mãe! Tu já viu foto 3x4 com bordas?!

Aí ela começou a cortar a porra toda tão torta quanto eu mesmo estava cortando com as mãos tremulas por tanta pressa. Peguei puto da vida as menos tortas e voei para o outro lado da cidade. Duas horas depois estava próximo ao ponto que descer. Os lixos dos GPS, como sempre, nunca estão corretos, maldito Moovit. Desço praticamente no meio do mato. Olho para o número da casa mais próxima a maldita tinha 2 numerações. Sim isso mesmo 2 números diferentes com a diferença de uma centena e ainda por cima sendo um número par e outro ímpar (vê se pode Arnaldo?), voltando um pouco o sentido da estrada a próxima casa também tinha 2 numerações e para minha surpresa um subia e o outro descia. O número que estava mais próximo de onde eu deveria estar era o que subia no sentido da via. Então o corno aqui começou a seguir o sentido da via. Só que tinha uma curva fechada que não dava mais para ver a civilização próxima. Fui andando feito um trouxa, do outro lado da rua só tinha aquelas lojas bizarras que expõe seus vasos, estátuas e outras coisas de jardins na beira de estrada, então não tinha nem ser como ali, apesar da numeração informar que ela exatamente do lado onde eu estava. Depois de uns 10 minutos de caminhada, seguindo a estrada cercada de apenas mato e da curva, o primeiro sinal de civilização após uns 300m me mostra que a numeração já tinha passado e muito o local da empresa.

CACETE! Essas porras só acontecem comigo! Atravesso e volto tudo de novo só que agora do outro lado, só que para minha surpresa, a numeração também era ímpar! Que lugar foi esse onde fui parar?! Ainda estava chovendo, um lamaçal desgraçado e eu tinha que ficar atento aos carros que poderiam passar em cima das poças e me dar um banho.
Vou descendo a estrada e olhando a numeração, quando vejo a maldita casa verde com um pequeno banner com o nome da empresa. Isso do outro lado de um retorno perigosíssimo.

A entrega da documentação foi tranquila, na volta comprei um milk-shake de prestigio (para me presentear pela conquista) no Mcdonalds no shopping no único ponto a 2km de distância da empresa. Nessa brincadeira perdi cerca de 5 horas naquele dia só no translado.

Durante o retorno ao meu cafofo, Roberto me liga para me informar que diferente do que o RH tinha dito eu já começaria no dia seguinte. Loucura, loucura, loucura!

1º Dia

Qualquer coisa nova me embrulha o estômago, me deixa apreensivo de como será. Mesmo não sendo um novo emprego em si. A expectativa de como seria a nova empreitada me deixava bem ansioso.
Ao pegar o caixão metálico, aquele ar-condicionado quebrado, abarrotado de chimpas até as portas, fiquei refletindo, é isso mesmo que eu quero? Voltei a rotina, será que vou morrer fazendo isso? Como trabalhar é horrível.

Eu vendo a vida passar diante dos meus olhos.

Me apresentei na portaria e a recepcionista até me reconheceu assim como alguns seguranças, fui para o QG da empresa depois de assinar uma cacetada de papéis, depois fizeram comigo e os novos funcionários um tour pelo andar inteiro onde estaríamos alocados, conhecer o novo chefe do local e etc.

Na verdade eu voltei ao mesmo local de trabalho onde eu supervisionava piões. Só que voltei na área administrativa em outra gerência, ganhando muito menos, mas com menos perturbações e com gente boa, diferentemente do psicopata com quem trabalhei uns anos atrás. Pelo menos estou empregado e o vale refeição ainda é maior que o salário líquido do meu emprego de merda.

Quem segue minha caminhada durante os fechamentos, sentiu como está difícil arranjar um emprego em um estado falido como o inferno de janeiro. Ainda mais pelo estado ter como contratante direto quase 20% da força de trabalho formal e muito mais indiretamente (por terceirizados), essa dependência estatal poderia somente ter um único resultado. Se o governo vai à bancarrota, é inevitável que a população acabe se ferrando logo em seguida. Mas diferente de vários órgãos estaduais, esse é um dos únicos que está expandido feito louco apesar de não ter justificativa lógica, ética e moral.

Tá mas o que é que eu faço?

Eu auxilio administrativamente (Severino) um dos funças que me indicou pela terceirizada que por enquanto está sendo meu costas quentes, assim como o amigo que ainda continua supervisionando piões, só que agora sem tirar o cu da cadeira, pois proibiram de ficar andando atrás dos piões. Duas únicas palavras definem essa imposição a ele, expansão e orçamento, tem que justificar essa porra, senão no próximo plano orçamentário não tem como pedir mais grana, já que se não gastar tudo, o próximo ano há redução do orçamento, então tem que ficar criando cargo, contratando pessoal e especializando o serviço pra justificar os gastos, serviço público é isso.

Passo boa parte do meu tempo tomando conta dos negócios paralelos desse funça, enquanto ele também fica tocando seus negócios durante as horas vagas que é 90% do nosso tempo. Nesse meio tempo o supervisor de piões fica procurando emprego e no WhatsApp (duvido ele encontrar algo na iniciativa privada pagando mais do que ele recebe hoje).

Não estou ganhando bem, mas também não estou ganhando mal. Ganho até mais que alguns comissionados que recebem apenas 2 salários, puro, sem nada. O pessoal ainda fica tocando na minha ferida dizendo que eu não deveria ter pedido demissão, mas eles não estavam na minha pele. Eu descrevo +- como foi minha experiência como estagiário com esse gerente neste post e os resultados físicos da minha volta como supervisor de piões com esse mesmo psicopata no fechamento de outubro de 2015 e na retrospectiva de 2015. Minha única saída seria a demissão mesmo, pois apenas pedir minha transferência ou até mesmo aceitar a oferta do cargo comissionado (mas ainda sim subordinado a ele), não resolveria meu problema, que seria o de ficar mais longe possível daquela figura morfética.

O funça que me chamou de volta até me dizia na época que eu iria pedir para voltar. Sim pedi para voltar, mas não para ele ou qualquer outro relacionado nas gerências. Não queria ser humilhado novamente e dar o braço a torcer. Mas já no desespero, após o emprego de merda e outros temporários, pedi uma vaga para meus contatos das terceirizadas. Bem, hoje estou de volta, não com um salário obsceno (estaria ganhando mais de 3k + benefícios), mas com dignidade, tempo livre e respeito.

Como são os funças com quem trabalho.

Descrever um funcionário público (servidor ou empregado [foda-se]) é descrever todos os outros, é impressionante como só mudam de endereço, pois todos se comportam iguais diferenciando os apenas pelo nome, matricula, salário, ídolo político e time de futebol.

Todos entram como se fossem mudar o mundo, apenas decorando um monte de besteiras que provam somente que você é um bom conhecedor da máquina pública, coletivista e que possivelmente é fiel ao estado. Por consequência todos acham que são melhores que todos os outros apenas por passar em um teste de decoreba.

O que eles acham que são.


E o que realmente são.

Pobre Sofredor, retrate-se! Nem todo funça é preguiçoso e não é só decoreba!
Nem todo funça é preguiçoso, mas o sistema o força a ser. Não adianta ele tentar adiantar o seu lado se a resposta dos outros departamentos demoram 7 dias para ser respondido.

E quem disse que não é decoreba? O que mais vejo é funça com problemas informáticos, com português, raciocínio lógico e outras coisas básicas que se aprende nos cursinhos e é cobrado em prova. Não tem prática no mundo real, mas apenas teórico. O setor de informática nem atualiza os sistemas, pois se mudar a cor de um ícone, eles já inventam dificuldades e fazem o serviço de forma mais lerda possível.

“Como tiro a porcentagem desse valor aqui?”
“Como boto fórmula no Excel?”
“Não tô achando os e-mails na pasta tal, me ajuda aqui?”
“Como é a abreviação de vossa excelência/excelentíssimo?” Depois de digitar umas 10 vezes de forma errada no Word e só aparecer o sublinhado vermelho, meia hora depois decide jogar no Google para ver como se escreve.

Coisas simples como uma resposta de 5 linhas podem demorar até 2 dias para serem escritas. Isso porque sempre há coisas mais importantes e urgentes para se fazer que aparecem no meio caminho, como:
Planejar as próximas férias.
Planejar o destino do próximo feriadão.
Verificar quantos abonos já utilizou e se vai conseguir emendar uma semana de folga.
Em que lugar do mundo vai gastar a licença-prêmio.
A tabela do brasileirão.
As eliminatórias da Copa.
A pausa para o café.
A pausa para conversar com outros funças sobre as viagens que internacionais que fizeram e quais serão as próximas.
A pausa para pedir sugestões de países para a próxima férias.
A última corrida da Formula 1.
A ressaca do fim de semana.
O jogo de quarta-feira.
Os carnavais antigos e próximos carnavais.
Abrir o G1, Carta Capital, Foice de São Paulo para ver as notícias políticas.
Abrir o Globo esporte e comentar sobre o brasileirão.
Calcular quanto tempo falta para a aposentadoria.
Fumar.
Reclamar que o ar-condicionado está muito frio e não pode trabalhar.
Reclamar que a sala está muito quente e não pode trabalhar.

O lema é, se demorou para chegar aqui. Não tem pressa para reencaminhar/responder.

Reclamam do salário, mas vivem no carpe diem. Se acabou as folgas, mete um atestado. Se acabou a grana da viagem, pega mais um consignado. Afinal de contas, o salário é garantido, nunca vai ficar desempregado e sem grana. Por isso o que mais aparece na tv desse estado falido é funça desesperado porque não tem um único centavo, já que nem o lixo da poupança existe para eles, e quando a estabilidade prometida pelo papai estado não é cumprida (não sei porque acreditam tanto nisso) esperneiam iguais a crianças birrentas para ter o salário em dia. Eles têm que ver que tem gente desempregada a muito mais tempo do que eles estão sem receber e sem ganhar NADA! Se o setor produtivo da sociedade não produz, não tem como pagar o salário deles simples assim. É preciso que os meros mortais trabalhem para eles receberem. Não pensam nem em vender nem que seja um pouquinho para ajudar nas contas, é mais fácil chorar e contar história triste. Empreender não é vergonha pra ninguém.

Tem uns tão caras de pau que se orgulham de dizer que nunca tiveram uma carteira de trabalho ou que desde que entraram na máquina pública não trabalharam mais um único dia de suas vidas.

Sem falar nas picuinhas que fazem para preencher o tempo ocioso, como tomar posse de lápis, caneta e borracha dizendo que são deles. Discutem política, xingam uns aos outros de comunistas sendo tão comunistas quanto. Desqualificam e desdenham qualquer pessoa que não seja da patota esquerdista que predomina a mídia e seus pensamentos. Passam o dia vendo fotos históricas e comentam sentindo saudades de um tempo que sequer viveram, dizendo que era melhor e etc. E quando perguntados que países já visitaram ou gostariam de visitar, só sai da boca deles países livres e ricaços como Chile, EUA, Austrália, Emirados Árabes, Canadá e etc.

Os com mais tempo de casa nem ligam mais para horário, chegam depois do almoço e saem as 16:00. Depois só justificam no RH que aceitam sem falar nada, afinal de contas funça não trabalha pelo seu salário. Eles merecem ele por ter passado em uma prova. São especiais e fazem um trabalho qualificado e importantíssimo para a sociedade, pensam eles.

No interior a ociosidade é tão grande que o horário oficial é apenas de terça a quinta!

Como a maioria dos órgãos públicos, há também uma politicagem nojenta onde trabalho. Antigamente era mais, mas ainda continua tendo. É indicação de fulano para criar uma vaga para o sobrinho. E indicação de sicrano para botar a amante. E indicação de Ares para arranjar uma vaga para o Genro. É indicação do capeta para por seus lanchinhos com a desculpa de exibir uma imagem de diversidade na instituição.

Eu mesmo atualmente trabalho com um estagiário que o RH jogou na gerência, sem ninguém pedir ou ter necessidade. Depois de um tempo descobrimos que o merdinha tem o salvo conduto para ficar suas 4 horas no Facebook, celular e se recusar a atender o telefone, pois toda a família é dos altos cargos da instituição.

E quem bota essa porra para funcionar?!

Vou reformular a pergunta. “Quem construiria as estradas?”😂. Os terceirizados e estagiários interessados em ter qualquer tipo de emprego fixo. Um terceirizado faz o que 5 funças não conseguem fazer. Até um estagiário que não seja indicação faz em apenas 4 horas o que um funça faria (se fossem interessados) em uma semana de três dias). Quem faz a máquina pública funcionar são as terceirizadas, o governo há muito tempo usa a terceirização para a atividade-fim, oficializar isso só diminui ainda mais a quantidade funças e futuras contratações, por isso espalham como loucos que isso seria o fim da CLT, que seria ótimo, não acha não?

Então como voltei, mas agora para um bom local de trabalho, estou usando meu prestígio para resolver meus problemas de saúde. E como consegui esse prestígio? Comprando os funças e outros terceirizados com bolachas, biscoitos, chocolates, pizza e etc. Quem não gosta de coisas grátis?! Faço questão de parecer bonzinho para garantir minha permanência no trabalho, já que não tenho estabilidade e nem costas quentes garantidas por alguém do alto escalão. Para ser um funça completo só me falta ter a bendita estabilidade.

Bem é isso, se tiver alguma curiosidade deixe abaixo.

Abraços!